quarta-feira, junho 05, 2013

Marketing Multi-Nível ou MMN



Muito se tem falado do MMN porque alguns dizem que é o esquema da pirâmide outros dizem que assenta num modelo binário, nomeadamente o australiano. Anda uma guerra nas redes sociais, noticias, etc. por causa disto.

Pessoalmente fui contactado por alguém da ######### e me apresentou o “produto” e é disso que vos venho falar. Esta é a minha visão, nunca fiz parte e não me parece que venha a fazer.

A primeira coisa que me saltou aos olhos foi me dizerem que com 5 minutos diários a postar anúncios eu recuperava o meu investimento em aproximadamente 2 meses e meio. Ok, e que digo às minhas crenças e valores que sempre acreditei que sem trabalho nada se consegue? Que quando ouço as histórias da pessoas que criaram impérios, essas histórias têm sempre em comum o trabalho árduo?

A segunda coisa foi não perceber o que raio vende a #########. Não me interpretem mal, eu sei o que vende, ou seja, uma aplicação para smartphones (e ainda não percebi bem para que sistemas operativos) que permite fazer chamadas voip à borla para qualquer parte do mundo, desde que o equipamento tenha acesso à Internet. O que não percebi foi me dizerem comprei o produto para entrar na rede, mas até não o utilizo. Como? Então afinal que raio vende ou de que vive a #########?

Há quem me considere prático, há quem me defina como alguém que vai ao fundo da questão. Eu sei é que quando me dão uma informação e se há algo que não “encaixa” que quero perceber porquê. Neste caso é, como é que se faz dinheiro com um produto que ninguém usa? Por falar nisso conhecem alguém que tenha a aplicação instalada no telefone? Ou que vos tenha ligado e dito “não te preocupes que eu estou a usar o ######### (ou mesmo voip)” e não pago nada?

Nota. Não digam que não são vendas, porque é exactamente isso. Vamos então tentar perceber o que se vende…

Vamos então tentar compreender. E isto porque eu para entrar num negócio tenho de perceber como é que esse negócio é rentável. Para ficar com as calças na mão já me basta a austeridade. Ou a politica da mesma.

Primeiro. Alguém desenvolve uma aplicação para telemóveis que permite conversação voip, desde que o telefone tenha acesso à net. Ok, eu faço isso já há muitos anos com o meu computador. Ok, não ando sempre com ele e há muitos lugares que não tenho net, mesmo pagando. Para que não se sintam perdidos, falar em voip para alguém é por exemplo usar o Skype. E sim pagam para poder ligar a telefones fixos ou moveis se estes não tiverem o Skype instalado. Simples. Neste caso o problema é o mesmo. À borla só para equipamentos com o mesmo software instalado. Há uma marca de telefones que permite mensagens à borla entre equipamentos da mesma marca. Lembra alguma coisa? Será por isto que as pessoas compram o produto e não o utilizam? Sinceramente não tenho resposta para esta pergunta.

Segundo. Ok, comprei o produto por 250€ , crio a minha conta e começo a colocar anúncios, que só me toma 5 minutos por dia e ao fim de 2,5 meses recupero os meus 250€. A partir daqui passo só a ter lucro. Fixe. Será?

Terceiro. E aqui é que me começo a sentir à nora. De onde vieram os meus 250€. Dos anúncios que eu postei? A ######### ganha com isso? Ou seja, eu publicito a empresa com anúncios publicitários e isso gera dinheiro?

Quarto. E afinal o que é que foi vendido? E isto porque não sou obrigado a comprar mais nada nem sequer tentar vender mais “produtos”. Só tenho que postar anúncios 5 minutos por dia e pagam-me.

Escusado será dizer que o rendimento passível de se obter com o pacote básico é isso mesmo. Básico. Então bora comprar uma data de pacotes básicos? Em vez dos 5 minutos passo 4 horas a postar anúncios e ganho balúrdios? Não, para isso há solução que é comprar o pacote que vamos designar como “Premium” que nos permite ganhar muito mais dinheiro. Como? Pois, significa que temos de descobrir (e é uma descoberta fantástica, podem ter a certeza).

Não esquecer que a solução de comprar, digamos, 20 pacotes básicos (ou seja 5000€) de investimento não é aconselhável, ou melhor, não se fala disso. E porquê? Se eu recupero o investimento em 2,5 meses, significa que recebo com um pacote pelo menos 50€ por semana. Com os 20 pacotes, recebo 1000€. Então o que falha aqui? Só tinha estar umas duas horas por dia a postar anúncios. Fácil? Talvez… ou talvez não.

Pois, afinal o fito deste MMN tão natural como a sua sede, é conseguir divulgadores para a sua rede. Não vender o produto (o tal que ninguém usa). E o que é preciso para ser divulgador? Comprar pelo menos o pacote básico.

Ah, e a rede não é em pirâmide. Assenta em dois braços (ou mais conforme o numero de pacotes adquiridos) e em que se tem de trabalhar o mais fraco. Que se define como? Como o que não tem, não consegue ou perde os tais novos divulgadores.

Conclusão. De onde vem o dinheiro que eu ganho? Que produto vende esta rede? Se conseguirem responder a esta pergunta, percebem logo como funciona.

Moral da história. Sem trabalho não há retorno. E contra isto quais os argumentos?

P.S. Tenho um amigo chegado que trabalha com negócios on-line e MMN. E trabalha muito para conseguir resultados. Agradeço-lhe a “inside version”.

domingo, março 03, 2013

Só fizemos asneira...



Hoje em dia com 45 anos e a ouvir o povo a cantar “Grândola, vila morena” chego à conclusão que só fizemos asneiras. E quer queiramos quer não, fizemo-las por escolha própria. Tivemos atenuantes? Tivemos, mas já lá vamos.
Fui educado segundo o principio de: trabalha, sê honesto e tens o futuro garantido. E continuo a acreditar neste principio. E olhando para este estado de coisas, pergunto-me: que raio aconteceu?
Quando revejo a nossa história começo a perceber as asneiras que se fizemos. Se no após 25 de Abril se confundiu Liberdade com libertinagem, quando se afastaram para segundo plano os ideais da nossa revolução, assim como aqueles que a fizeram, até entendo. Portugal estava sequioso de Liberdade. Estava sequioso de melhores condições de vida. Estava sequioso de melhor poder de compra.
Não me interpretem mal. Foram tempos complicados. Imagem uma criança a quem dizem, agora podes fazer o que quiseres.
Depois veio o sonho da CEE. Dinheiro fácil, fundos imensos para investimentos públicos, infelizmente utilizados em bens não transaccionáveis.
E nós que erros cometemos? Cometemos um erro parecido. O erro do dinheiro fácil, do consumismo. O carro novo. A casa grande. O Jantar fora. As roupas de marca. As férias. Os gadgets. Foram tantos…
As nossas atenuantes foram exactamente termos ao alcance da mão (pensávamos nós) aquilo que os nossos pais demoravam anos a conseguir. Ouvir os meus pais a falarem de poupar para comprar era quase um conceito surreal. Mas se eles estavam no oito nós estávamos no oitocentos. Ou seja, passamos pelos oitenta a fundo!
E afinal que erros cometemos? O consumismo? Mas isso faz andar a economia. O fazer crédito? Isso faz andar a economia? Então o que se passou para estarmos assim?
O que se passou é que fomos atraídos por uma visão de vida europeia. Esta até tem piada.
A Europa que nos pagou para deixarmos de pescar. Para deixamos de ser agricultores. Para deixarmos as nossas criações de gado. E por aí adiante…
Por outro lado fartou-se de nos mandar dinheiro para criar infraestruturas. Os tais bens não transaccionáveis. E agora pergunto eu, para quê? Se não temos pesca, agricultura e agropecuária para que raio precisamos de infraestruturas? Se não exportamos, para que precisamos de autoestradas?
Dou por mim a pensar: porque carga de água andam os Portugueses a fazer Volkswagen’s e os alemães a pescarem nas nossas águas? Já sei, fazemos os VW’s mais baratos que os alemães e assim temos dinheiro para pagar o peixe que eles pescam).
De uma coisa tenho a certeza. Se nós continuássemos a pescar, a plantar e a criar, tínhamos o dinheiro necessário para comprar VW’s!
 E agora o que fazer? Basicamente voltar a pescar, plantar e criar. Vai ser duro, mas de certeza que chegaremos lá mais rápido do que a pagar juros!

terça-feira, fevereiro 26, 2013

Crónica de um entrevista de trabalho (ou emprego se preferirem).



Crónica de um entrevista de trabalho (ou emprego se preferirem). E digo isto porque procuro trabalho, não emprego. Isso já tenho, estou desempregado e recebo algum dinheiro ao fim do mês sem fazer nada (minha definição de emprego).
Era para não escrever sobre isto, mas tornou-se tão surreal que não resisti. Vamos factos: para aqueles que não sabem eu estou desempregado. Para aqueles que me conhecem sabem que estou a passar um suplicio. O suplicio de não fazer nada…
Entre respostas a anúncios e envio de currículos, às tantas aparece-me num site da especialidade um pedido de pessoal para abertura de um novo escritório/filial. Ora nem mais, eu que já o fiz pelo menos duas vezes toca de responder com envio de CV actualizado. Com carta de apresentação a demonstrar todo o interesse.
Na passada quinta-feira, recebo um telefonema a marcar entrevista já para o dia seguinte às 11h30, na Amadora. E eu que logo que nesse dia tinha que ir me apresentar a um pedido do IEFP na Expo. Bem lá consegui ir à Expo e estar na Amadora 10 minutos antes da hora marcada.
Fui muito bem recebido por uma senhora que me informou que na empresa trabalhava somente com promoções, ou seja faziam “uma favor” ao cliente de terem produtos e oportunidades a bom preço. Nomeadamente produtos da Disney, da Warner etc…
Mais me adiantou que realmente procuravam pessoas dinâmicas e que caso aceitassem a minha candidatura (seria informado via telefone nesse mesmo dia à tarde), teria que passar um dia com uma pessoa da empresa para ver o tipo de trabalho que desenvolviam. Que aliás não tinha nada a haver com vendas porta a porta mas sim com a apresentação das suas promoções. Até aqui tudo bem, porque concordo plenamente que se alguém se candidata a um lugar de responsabilidade numa empresa a nível administrativo e logística deve “sentir na pele o que a casa gasta”.
Nesse mesmo dia ao fim da tarde recebi um telefonema a me dar efusivamente os parabéns, uma vez que tinha sido considerado para passar à segunda fase, e que desse modo me deveria apresentar na segunda-feira (hoje dia 25) na empresa de gravata casaco e calça social (esta não percebi na altura, e se me pôs de pé atrás, deixei andar, até porque os meus filhos me disseram que não devia desistir à primeira).
Ora, hoje saí de casa às 8h00 da matina, apanhei o comboio para a Amadora e cheguei ao dito escritório um pouco antes das 9h50 (aliás, um pouco antes). Vá lá ainda deu para ouvir palmas, e vivas e risadas, tipo IURD, não sei estão a ver. Tornei a ficar meio desconfiado, mas como estava com a ideia do “sentir na pele”, vamos em frente.
Entretanto sou chamado e apresentado à colega que seria a minha mentora durante o dia, tendo eu o cargo de mero observador e tendo só que apontar alguns números: numero de clientes contactados, clientes com produto não mão (mau!) e fechos (ui!).
Antes que me esqueça, produto em promoção. Adivinhem? Não? Ok, genéricos, não de medicamentos, mas de perfumes a 10€ em frascos de 100ml. Estão a ver? Não? Tipo “Amour, Amour” da Cacharel com o nome de Cupido. E mais umas coisas que já me perdi.
Arranquemos então em direcção à Moita (ainda por cima à Moita!) com o porta bagagens cheio de “parfumes” e com troleys para andarem pegados a nós.
Resultado. Que se faz? Venda porta a porta. Desculpem, venda não, apresentação da promoção (se o cliente quer  tudo bem, se não quer também tudo bem). E pensavam vocês que era em lojas da especialidade? Pois, eu também, mas não. Tudo o que foi bares, restaurantes, padarias, cabeleireiros, tribunais, pessoas na rua, e eu sei lá mais o quê…
E o menino Bernardo de fato e gravata (a calça social já não sei) pela Moita fora a apresentar a dita promoção. Sim que não são vendas, mas que se entregam os perfumes em troca de 10€, não tenham duvidas. Pois, promoção.
Antes de mais e que alguém fique melindrado, digo desde já que tenho muito respeito por esta pessoas que fazem este tipo de trabalho.
Agora responder a um anuncio para a admissão de pessoal para a abertura de um novo escritório/filial, conversão comigo sobre a minha vida profissional, ver o meu CV e ainda me ligar efusivamente a me dar os parabéns que passei à segunda fase é obra!
Conclusão a que cheguei. Até nos pedidos de emprego há publicidade enganosa. E explico porquê. Tinham-me dito que ao fim do dia eu teria que responder a um questionário e que seria avaliado pelas minhas “mentoras”. Ora, quando chegamos à Amadora o diálogo foi mais ou menos assim:
- Então Sr. Bernardo (depois de eu passar o dia a dizer que era Bernardo e me chamarem Sr. Alexandre) já está despachado. Pode ir embora.
- Mas disseram-me que eu teria que responder a um questionário!
- Isso seria se tivesse interessado (lá nisso acertou na mouche). Mas não está pois não?
- Eu respondi a um anuncio para abertura de um novo escritório/filial!
- Ah, mas é para comerciais!
- Pois, não era isso que dizia. Então até a próxima.
- Até à próxima.
Resta-me dizer que esta empresa fui fundada por um senhor que ao que parece agora é o mais rico de Portugal e que há 20 ou 30 anos andava no Canadá a vender facas com neve pelo joelho (news flash: no Canada andar com neve pelo joelho no inverno penso que é a mesma coisa que andar com sol no verão de Portugal, mas vocês lá sabem).
E disto se faz Portugal.
Se querem vendedores de rua e porta a porta, digam de uma vez!